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BCI reitera apoio às PME

Teve lugar, na passada sexta-feira, dia 4 de Agosto, no Hotel Radisson Blu, em Maputo, a cerimónia de lançamento da 6ª edição do concurso “100 Melhores PME”, uma iniciativa do Grupo Soico, que conta com o apoio do BCI e do Instituto para a Promoção de Pequenas e Médias Empresas (IPEME).

O lema deste ano, ‘‘Fortalecer as Cadeias de Valor do conteúdo nacional’, foi largamente dissecado, quer nas intervenções soltas, como no painel convidado e no público que encheu a sala.

Na sua intervenção, o Presidente da Comissão Executiva (PCE) do BCI, Paulo Sousa, começou por lembrar a grande dificuldade das PME: o acesso ao crédito, e constatou o facto de estas empresas ainda “serem vistas pelas instituições financeiras como entidades de risco elevado.” Depois, deu a receita para minorar esta dificuldade: “Se conseguirmos garantir que as PME encontrem um posicionamento no mercado que lhes permite participar em cadeias de valor centradas nos grandes projectos nacionais por exemplo, ou em sectores de actividade específicos que têm inequivocamente mercado, quer a nível nacional quer a nível internacional, isso vai permitir mitigar o risco da actividade dessas empresas e, consequentemente, vai facilitar o processo do seu financiamento, baixando o preço da taxa de juro spread com que os bancos financiam essas empresas.” Mais adiante, deteve-se na importância da certificação. “Hoje, quando falamos em cadeias de valor, quando falamos em conteúdo local, devemos referir palavras como certificação, aspecto essencial para que as empresas sejam elegíveis. A certificação de clientes obriga que, de uma forma pensada, se faça um processo de transformação da empresa, de mudança estratégica. Muitas vezes necessita de investimento. Digo-vos que nas milhares de operações que temos de financiamento a PME, uma mão chega para contar os casos que tivemos de empresas nacionais que nos vieram pedir apoio para o processo de certificação de qualidade.” Para o PCE do BCI, o marketing também não deve ser negligenciado.

“Algumas empresas moçambicanas que fazem processamento de produtos agrícolas possuem produtos de excelente qualidade, investem imenso na produção, mas quase não dão relevância à embalagem. Se calhar a mesma castanha de caju, com informação nutricional, com a indicação da origem, uma imagem apelativa, faz toda a diferença e permite valorizar o produto que é exactamente o mesmo, chegando ao mercado internacional. Com isto estamos a contribuir para a diversificação dos produtos e para o aumento das exportações.”

Para o representante do Grupo Soico, Aniceto Manhique, “este prémio quer ser uma ponte para quem precisa de cadeias de valor robustas e quem vê nesse processo uma oportunidade de crescimento e de desenvolvimento. Económico e social.”

Por seu turno, o vice-ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, defendeu a importância de “se saber estar no momento próprio com as ferramentas próprias”, dando exemplos de dois grandes empresários que começaram do nada, como foram os casos de João Ferreira dos Santos em Moçambique e de Giovani Agnelli, o homem que criou o império automóvel da Fiat em Itália. No final, Ragendra de Sousa, após congratular a iniciativa das ‘100 Melhores PME’, deixou alguns pedidos: “Quebrem, por favor as assimetrias, não só de informação como de oportunidades. Não burocratizem as instituições de apoio às PME.”

Maputo, aos 08 de Agosto de 2017